Esporte e economia - artigo do coordenador do IBS publicado no Estado de Minas [15 de abril]

Esporte e economia - artigo do coordenador do IBS publicado no Estado de Minas [15 de abril]

Data de publicação: 17/04/2013

Esporte e economia


JOSÉ CARLOS BARBARÁ

Coordenador Internacional do IBS Business School, conveniada à Fundação Getulio Vargas

 

O impacto do esporte nos indicadores econômicos do Brasil existe, mas poderia ser maior, caso a população ampliasse sua visão acerca do tema e entendesse que a prática esportiva movimenta tanto o corpo, quanto a economia. O esporte é visto pela maioria apenas como atividade física, quando na realidade funciona também como atividade econômica importante para o crescimento do país. É preciso entendê-lo como um negócio que tem efeitos multiplicadores na economia total brasileira, com reflexos sociais. Investimentos públicos no setor esportivo revitalizam áreas urbanas, promovem a geração de riquezas e emprego, além de contribuírem para a inclusão social e qualidade de vida.

 

Conforme levantamento divulgado pela Pluri Consultoria, com a proximidade de eventos como a Copa de 2014 e os Jogos de 2016, o Produto Interno Bruto (PIB) do esporte brasileiro cresceu 20% acima da média da economia nacional. Não obstante o grande potencial de faturamento desse setor, o estudo revela também que o esporte ainda não apresenta parcela muito expressiva no valor total do índice, sendo sua participação no PIB brasileiro correspondente a somente 1,6%. Essa estatística pode ser relacionada ao entendimento do público acerca do assunto. A resistência de parte da população em relação aos mega eventos esportivos agendados para o país é notória e comprova a visão míope do esporte como setor secundário. Em recente pesquisa sobre o assunto, 57% dos entrevistados afirmaram serem contra investimentos na área, sob a alegação de que esporte não é prioridade para o Brasil e que os recursos públicos devem ser direcionados para as "reais" necessidades, como saúde e educação. Principalmente, no atual contexto esportivo do Brasil, é importante chamar a atenção para a intimidade entre esporte e as áreas comumente consideradas prioritárias. O esporte já é visto como fenômeno econômico na pauta da mídia e na agenda governamental. Mas falar sobre a economia do esporte ainda é um desafio instigante, uma vez que se trata de uma área de pesquisa bastante abrangente, mas ainda pouco prestigiada no Brasil.

 

Compreender os principais conceitos utilizados na área, identificar possíveis temas de pesquisa e formular questões pertinentes são os primeiros passos para estimular uma ampliação do debate acadêmico e, talvez, aprofundar discussões sobre o papel do Estado na promoção e regulamentação do esporte-espetáculo no país. O objetivo dessa rápida explanação panorâmica dos principais conceitos relacionados ao estudo da economia esportiva é oferecer subsídios para o debate de questões pertinentes neste campo. O momento é propício para fomentar o discurso sobre as perspectivas econômicas do esporte, a gestão dos grandes eventos esportivos e o poder do esporte como ferramenta de educação, saúde e lazer. Uma abordagem mais ampla sobre o tema pode gerar a mudança necessária na mentalidade da população e, por conseguinte, alavancar a participação do esporte na soma final de produtos e serviços, aproximando nossos índices econômicos às estatísticas de países como Estados Unidos e China, grandes economias que investem fortemente no setor.