Comunicação e ambiente organizacional

Comunicação e ambiente organizacional

Data de publicação: 29/06/2014

Publicado no Jornal Estado de Minas - p. 02 - Admite-se - 09/03/2014

 

Marina Rangel – Coordenadora do Núcleo de Formação Profissional da Faculdade IBS/FGV

 

 

Embora a comunicação constitua uma das capacidades humanas mais fundamentais no desenvolvimento dos indivíduos, são poucos os que sabem comunicar-se de maneira eficaz. Isto é verdadeiro no âmbito das empresas, mesmo em relação aos profissionais de Recursos Humanos. O poder da comunicação com certo desembaraço não demonstra que alguém seja um bom comunicador. Existe uma grande diferença entre informar e comunicar. Informar é um ato unilateral, envolve a pessoa que tem uma informação para passar adiante. Já a comunicação implica tornar algo comum, fazer-se entender, provocar reações no interlocutor. O bom comunicador tem de estar capacitado a não só saber falar, como também ouvir.

 

O profissional de Recursos Humanos, antes de qualquer outra habilidade, precisa dispor de desempenho eficiente da função de comunicador, o que exigirá conhecimento do processo de comunicação. Um gestor  pode emitir uma ordem que, ao seu ver, esteja totalmente clara. O funcionário, por sua vez, pode apresentar um comportamento totalmente discrepante daquele esperado pelo chefe. E, ao ser indagado a respeito, relata que fez exatamente o que lhe foi solicitado. Situações como esta acabam gerando conflitos entre as partes e são casos típicos de ruídos na comunicação.

 

O primeiro cuidado a ser tomado no processo de comunicação dentro do ambiente organizacional é entender com quem se fala. Isto porque a formação profissional, o status e o nível de linguagem influenciam o entendimento da mensagem que lhe é dirigida. Falar sobre finanças a um economista não exige o mesmo nível de explicação que se adotaria para um leigo em finanças. Os relacionamentos no trabalho, muitas vezes, ficam prejudicados e ameaçados, porque as pessoas parecem não saber ouvir o que o outro tem a dizer. Saber ouvir é uma das mais importantes habilidades comunicativas e é frequentemente a mais ignorada. Saber ouvir incentiva a boa comunicação entre as pessoas e está relacionado a diminuir os fatores que provocam distrações, postura corporal. Escutar significa estar atento para receber informações, não se distrair enquanto o interlocutor fala, não interpretar o que está sendo dito e não se preocupar com a resposta dada.

 

Sabemos que a atitude de escuta não é fácil. A geração atual gosta mais de falar do que ouvir. Gostamos de avaliar e dar conselhos e, o pior, ouvimos melhor aquilo que gostamos. O ato de exprimir-se diante de uma pessoa, ou de um grupo, requer alguns cuidados, sendo os mais importantes, a voz, os gestos, o tempo da fala, a linguagem e a objetividade.

 

O ajuste da voz deve ser adaptado ao local e ao número de pessoas inseridas no processo comunicacional. Se o tom da voz for muito elevado, pode provocar nos outros a sensação de estarem sendo dominados ou agredidos. Principalmente numa comunicação grupal, convém cuidar também da gesticulação, para que a comunicação seja harmoniosa. Deve-se conter a tentação de falar o tempo todo, para encorajar a fala dos outros. A linguagem deve ser adequada ao ambiente e às pessoas, com a utilização de termos claros e precisos, lembrando que, se a comunicação é feita com empatia, obtém-se um comportamento mais receptivo. Também é necessário definir o objetivo da comunicação antes de se comunicar, e clarificar suas próprias ideias. Ser objetivo, claro e conciso é uma combinação de qualidades importante. Respeitar os outros também é essencial. Colocar-se no lugar do outro, não interrompendo quando alguém está falando, fazer perguntas, sem esquecer que mensagens não verbais também fazem parte da comunicação.

 

Principalmente no ambiente organizacional, a comunicação começa em si, porém, é processada na mente de outra pessoa.