Para "Top 5", inflação de 2015 será ainda maior

Para "Top 5", inflação de 2015 será ainda maior

Data de publicação: 12/08/2014

Veículo: Brasil Econômico - Página: Capa/9 - Autor: Não assinada
Data: 12/08/2014


INFLAÇÃO As cinco instituições que mais acertam suas previsões discordam do otimismo do Banco Central e veem IPCA maior no ano que vem. As fontes de pressão serão os preços administrados, como o da energia, e a desvalorização do real. P9 Ao contrário das projeções oficiais, as instituições que mais acertamprevisões avaliam que preços administrados e câmbio vão pressionar IPCA para 6,47%no ano que vem Na contramão do que projeta o Banco Central, as cinco instituições financeiras que mais acertamprevisõesdemédioprazo apuradaspela pesquisaFocus,doBanco Central, preveem para 2015 uma inflação mais elevada que a deste ano.

Impactos mais fortes do aumento dos preços administrados e da taxa de câmbio são os dois principais fatores que levam os economistas destas empresas a trabalharem com um cenário inflacionáriopior.

Paraogrupo, chamado de “Top-5” demédio prazo na pesquisa (que reúne as expectativasdomercado paradiversos indicadores econômicos), na média, a inflação ficará em 6,32 % em2014, e 6,47% em2015. Especialistas que acompanhamde perto as projeções apontam que emgeral, o grupo domédioprazo émais certeironas apostas paraumanoà frentequeoagregado domercado. Talvez por isso, o que se viu no Boletim Focus divulgado ontem pelo BC foi uma aproximação da média em direção à elite: agora, o mercado de maneira geral trabalha comestabilidade e não queda para o IPCA: ele ficaria em6,26% (ante 6,39% há uma semana) em 2014 e em 6,25% em 2015.

Na gangorra das previsões, caiu a estimativa para este ano,mas a de 2015 moveu-se apenasmarginalmente, de 6,24% para 6,25%. Já o Banco Central trabalha comuma previsão de desaceleração: IPCA de 6,4% neste ano e de 5,7% no próximo, de acordo com o Boletim de Inflação, divulgado emjunho.Na última semana,o diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Hamilton de Araújo, reafirmou a expectativa do BC na na trajetória de queda do IPCA, mesmo em um cenário emque o real sofra uma desvalorização maior frente ao dólar nos próximosmeses.

“Em um dos cenários que trabalhamos, está contemplada alguma depreciação cambial e ainda assim teríamos recuonaprojeçãode inflação ao longo do tempo”, afirmou ele ementrevista na quinta-feira 7. Stephan Kautz, economistachefe da Neo Gestão de Recursos, que ocupa a primeira colocação na lista dos cincomelhores, informa que trabalha comum IPCA de 6,15%para este anoeuma levepiora para 2015: 6,30%.

“Há uma pressão de alta dos preços regulados, emespecial da energia elétrica, que nos faz avaliar que a inflação continuará alta no próximo ano”, diz ele. “Muda a composição do índice,masnãomuda o seu patamar”, diz ele. A Neo trabalha com uma desvalorização do real frente ao dólar de 10% ao longo de 2015,pelomenos.Nocasodospreços sujeitos correções pré-estabelecidas em contrato ou controlados pelo governo, como luz, combustível e tarifas de transporte, a Neo Investimentos projeta 7,2%. Cristiano Oliveira, economista do Banco Fibra, que ocupa o quarto lugar na lista dos cinco melhores, tambémvênos preços administrados uma ameaça, ainda que a recomposição de tarifas, represadas pelo governo para conter a inflação, seja realizada ao longo de dois anos.

No caso, a elevação projetada é de 8,5%. “A queda dos preços livres, emnossa avaliação, não será suficiente para compensar o peso das correções dos preços administrados e a desvalorização do câmbio”, diz. “Nomédio prazo,vemos umcomportamentobemmenosbenigno para o IPCA, principalmente por conta da aceleração dos preços administrados. Estimamos que se asprincipais defasagens dos preços administrados fossem zeradas hoje, o IPCA seria 1,2 ponto percentualmaisalto. AconvergênciadoIPCAparaocentrodametaéumdesafio à frente”, afirma Oliveira. Para ele, o preçoda energia elétrica não será o único a pesar. “Prevemos correções importantes (de 10% em 2015) nas tarifas de transporte urbanos nas principais capitais brasileira, entre elas São Paulo, que há dois anos não faz correções”, explica, lembrando que a capital paulista tem um peso importante no IPCA.

Oliveira prevê para este ano IPCA de 6,3% e de 6,5% para 2015. AocontráriodostopFiveanteriores, Felipe Carvalho, sócio e economistaresponsávelpelasprojeçõesda Absolute Investimentos,na segunda colocação no grupo, trabalha com uma trajetória alinhada à do BC: 6,4%paraesteanoe6%para2015.

Há pressão de alta dos preços regulados, em especial da energia elétrica, que nos faz avaliar que a inflação continuará alta em 2015.Muda a composição do índice, mas seu patamar, não” StephanKautz Economista-chefe da Neo Gestão Prevemos correções importantes (de 10% em2015) nas tarifas de transporte urbanos nas principais capitais brasileira, entre elas São Paulo, que há dois anos não faz correções” Areceita comvendas do Dia dos Pais cresceu 2,1%emcomparação comigual período do ano passado, segundo o Serasa Experian.

Pesquisa da instituiçãomostra, porém, que omovimento de clientes nas lojas, sábado e domingo, foi menor do que o observadoemigual período de 2013, com umrecuo nas vendas de 0,7%.Oresultado é atribuído às “adversidades do atual quadro conjuntural”. ABr Cristiano Oliveira Economista do Banco Fibra