Instituições públicas recuperam credibilidade com população

Instituições públicas recuperam credibilidade com população

Data de publicação: 02/09/2014

Publicada no MSN Estadão

 

A confiança dos brasileiros em instituições como o Congresso e os partidos políticos se recuperou parcialmente em 2014, após uma forte crise de credibilidade deflagrada com as manifestações de junho do ano passado. O Índice de Confiança Social (ICS) do Ibope oscilou positivamente de 47 para 49 pontos nesse período, e treze das dezoito instituições avaliadas no estudo tiveram avaliação melhor em relação ao ano passado.

 

A maior recuperação em relação ao ano passado foi a da saúde pública, que aumentou em quase um terço em relação à pontuação de 2013. Também tiveram aumento considerável a confiança nas escolas públicas, no Congresso Nacional e nos partidos políticos, que subiram 20% neste ano. Esses dois últimos, porém, continuam ocupando a lanterna do ranking de credibilidade entre as instituições brasileiras. “Essa recuperação não deve servir para animá-los, porque 2013 foi um ano fora da curva e eles continuam em baixo”, diz a CEO do Ibope Inteligência, Márcia Cavallari.

 

Os líderes de confiança entre as instituições continuam sendo o Corpo de Bombeiros, as igrejas e as Forças Armadas, todos com índice acima de 60 pontos. Entretanto, nenhum deles se recuperou da queda após as manifestações de 2013. A pontuação dos Bombeiros e das Forças Armadas caíram ainda mais neste ano, enquanto a das igrejas se manteve estável.

 

Para o cientista político Cláudio Couto, da Fundação Getúlio Vargas ( FGV ), a má avaliação dos brasileiros em relação às instituições políticas pode estar ligada à sua presença mais constante no debate público. “Quanto mais as pessoas estão acostumadas a conviver com alguma coisa, mais problemas veem nelas. Assim como as Forças Armadas estão pouco na pauta, os políticos estão sempre presentes e, por isso, são mais cobrados em relação às suas ações”, explica.

 

Outro fenômeno que ajuda a explicar essa questão é a falta de heroísmo da função política no imaginário popular, segundo Couto. “Os policiais aparecem sempre na imprensa e podem até ser criticados por excesso de violência ou por omissão, mas a função não deixa de ter um caráter heroico ao combater o crime. Já os políticos não têm um papel desse tipo.”