Conta de energia com ônus para 2015

Conta de energia com ônus para 2015

Data de publicação: 22/01/2015

O ano de 2015 já começa com uma espécie de Pecado Original: uma conta de mais de R$ 105 bilhões a ser paga pelos consumidores de energia elétrica. Como chegamos a um número tão grande? Diversos são os motivos e, infelizmente, a “seca” não explica totalmente essa realidade. O governo, por uma questão política, quis promover uma redução forçada da tarifa. Agora, 2015 começa com o cofre vazio e a conta não fecha, sobrando para o consumidor. Os fatores como a elevação da tarifa de Itaipu e as mudanças na regra do encargo da Conta de Consumo de Combustível (CCC) aumentarão ainda mais a tarifa das concessionárias do Sul, Sudeste e Norte. Ainda teremos indenizações adicionais para as transmissoras renovadas e para as geradoras não renovadas, que devido ao caixa vazio do governo, provavelmente serão repassados à tarifa.

 

Uma medida azeda, porém necessária, será tomada: a adoção do método chamado de “bandeiras tarifárias” para sinalizar ao consumidor, mês a mês, o nível dos reservatórios. Assim, um reservatório vazio significa tarifa mais alta; reservatório cheio, tarifa mais baixa. Simples assim, como acontece com qualquer produto, seguindo a lei da oferta e da demanda. Então, a medida é necessária, porém, seus efeitos se somarão à salgada conta que precisará ser paga no ano, o que pressionará ainda mais as tarifas de 2015 a 2017, que podem receber aumentos de cerca de 15% ao ano neste período (apenas em 2015, de acordo com previsões da TR Soluções, a tarifa deve aumentar, em média, 43%). É  importante lembrar que diversas concessionárias, já em 2014, receberam reajustes superiores a 30%, e que o governo federal já injetou mais de R$ 20 bilhões a fundo perdido (além de outros R$25 bilhões em indenizações).

 

A Bandeira Verde significa “reservatórios cheios”, sem acréscimo tarifário. Já, a Bandeira Amarela indica um sinal de atenção, pois os custos de geração estão aumentando. Neste caso, a tarifa sofre acréscimo de R$ 1,50 para cada 100 quilowatt-hora (KWh) consumidos. Finalmente, a Bandeira Vermelha sinaliza reservatórios baixos e alerta para o acionamento das usinas térmicas, de custo mais elevado. Nesse caso, a tarifa sofre acréscimo de R$ 3,00 para cada 100 KWh consumidos. É importante ressaltar que, caso este sistema já estivesse em vigor em 2014, em praticamente todos os meses teríamos o acionamento da bandeira vermelha, à exceção de janeiro. Estima-se que, por mês, arrecade-se no país cerca de R$800 milhões a mais com a bandeira vermelha. Tomando como parâmetro a tarifa da CEMIG, que é de R$39,64 (sem impostos) para cada 100 kWh de consumo, um aumento de R$3,00 significa um incremento de quase 8% na tarifa, somado ao reajuste que será normalmente aplicado neste ano. Além de dar às distribuidoras um melhor fluxo de caixa, esta medida tentará reduzir o consumo, já maior do que a oferta de energia – como mostrou o blackout de 19 de janeiro.

 

O consumidor terá que se esforçar muito para conseguir pagar por esse pecado e manter equilibradas as suas contas em 2015, já que a energia é um bem essencial e não há como cortá-la. Restará apenas tomar, desde já, medidas que ajudem na redução do consumo: equipamentos mais eficientes, hábitos de utilização alternativos e lâmpadas frias. Em resumo: 2015, pelo menos para o setor elétrico, é um ano que não deixará saudades.

 

Publicado no jornal Estado de Minas. Para visualizar a matéria, clique na imagem.