Confira 30 dicas para enfrentar o cenário econômico difícil em 2015

Confira 30 dicas para enfrentar o cenário econômico difícil em 2015

Data de publicação: 02/02/2015

Diante de um ano com perspectiva de muitos reajustes de preços, além de juros em elevados e retração no mercado de trabalho, o jeito é o consumidor se virar como pode, pulando num pé só, tentando evitar que o bolso fique furado. Por isso, o EXTRA convidou um time de especialistas que elaborou 30 dicas, que você confere abaixo, para ajudar a população a driblar as dificuldades que se anunciam para 2015. Até os mais otimistas dizem que muita gente terá que se equilibrar na corda bamba.


O caminho para sobreviver à avalanche de aumentos previstos no custo de vida até o fim do ano não será fácil. O economista Marcelo Balassiano diz que, em 2014 — que já foi um ano ruim —, o IPCA, que mede a inflação oficial do país, ficou em 6,4%, próximo ao teto da meta estabelecida pelo governo, de 6,5%. Este ano, a perspectiva é pior: a projeção é que chegue a 7%.

 

— O grande problema da inflação é a alta dos preços de serviços. No ano passado, fechou em 8,3%. Isso corresponde a mais de um terço da inflação total. A dos alimentos também tem sido alta. Nos últimos dois anos, está em torno de 7%. Com esses choques da estiagem (falta de chuvas), a situação, que já está ruim desde o ano passado, tende a piorar, ainda mais com a questão da falta de energia e (das dificuldades com os escândalos) da Petrobras — destacou o especialista do Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getúlio Vargas (Ibre-FGV).

 

Balassiano avalia que a inflação alta dos últimos anos ocorreu, em grande parte, pelo incentivo do governo ao consumo, com a concessão de crédito mais facilitada. Mas, em 2015, o consumidor precisará pisar no freio na hora de ir às compras.

 

— Com esse cenário de juros altos, as pessoas devem fazer menos dívidas. Se alguma coisa subiu muito e não é tão essencial, tente substituir por outra similar. Um exemplo o isopor que as pessoas têm levado para a praia com cervejas.

 

Altas de energia e gasolina são as grandes vilãs

Especialistas são unânimes: em 2015, os reajustes na conta de energia elétrica e no preço do litro da gasolina são os itens que mais vão pesar na inflação. Segundo Reinaldo Castro, professor do departamento de Engenharia Elétrica da PUC-Rio, o baixo nível de água nas hidrelétricas indica que o país passará o ano todo com a bandeira tarifária vermelha, o que ocasiona um acréscimo de R$ 3 a cada cem quilowatts-hora consumidos pelas famílias brasileiras:

 

— Com o aumento enorme da carga (consumo) que estamos tendo, o que estava previsto de reajuste ao longo do ano será maior, porque a bandeira vermelha não vai segurar (não será suficiente para cobrir) a diferença do suprimento (já que o consumidor paga mais quando os reservatórios das hidrelétricas estão em baixa, e o governo precisa acionar as termelétricas, que produzem luz mais cara).

 

O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), prevê uma alta de 27,6% no custo da energia este ano, mas, para Reinaldo Castro, esse percentual pode ser maior:

 

— Avalio que, para o consumidor residencial, a alta será de, no mínimo, 30%.

A gasolina subirá R$ 0,22 por litro, já a partir de amanhã, devido ao aumento da tributação.

 

Alimentação dentro de casa deve subir 5,7%

A alimentação deve continuar sendo um dos gargalos do orçamento familiar em 2015, embora a expectativa seja a de que os preços subam menos, em relação ao ano passado. Adriana Molinari, economista da Consultoria Tendências, explica que, em 2014, o preço da refeição feita em casa subiu 7,11%. Para este ano, a projeção é que a inflação seja de 5,7%.

 

— Temos a previsão de uma atividade mais desacelerada do mercado de trabalho para este ano, o que influencia na acomodação dos preços. Mas o cenário de escassez de água pode impactar a produção de hortifruti — disse a especialista.

 

A avaliação é a mesma feita pelo economista André Braz , economista da Fundação Getulio Vargas (FGV):

 

— A seca pode prejudicar a oferta de hortaliças, legumes, frutas e leite. Isso deteriora as pastagens, e o gado passa a produzir menos leite.

 

José de Sousa e Silva, presidente da Bolsa de Gêneros Alimentícios do Estado do Rio de Janeiro (BGARJ), também considera que esses serão os alimentos cujos preços mais vão pesar no bolso dos consumidores.

 

— Se a seca continuar, em boa parte do país, a produção de hortifrutigranjeiros será prejudicada, porque esses alimentos precisam de água todos os dias. É provável, por exemplo, que o tomate se torne o vilão da inflação novamente. A estiagem afeta mais as áreas que dependem de irrigação, como as plantações de feijão e soja — disse.

 

Confira as dicas para enfrentar a crise:

 

CRÉDITO

É melhor recorrer a alguém que não seja uma instituição financeira para tomar empréstimo mais barato. Mas jamais procure agiotas.

O momento de tentar renegociar dívidas é agora, porque a tendência é de as taxas e os juros aumentarem.

Nada de ficar pendurado no cheque especial. Com a escalada dos juros, a bola de neve vai ficar maior até o fim de 2015.

Pagar o valor mínimo do cartão de crédito ou parcelá-lo deve ficar fora dos planos. Não tem dinheiro para pagar? Procure outro crédito, com juros menores do que as taxas do rotativo, para sanar a dívida.

Crédito pessoal disponível na tela do caixa eletrônico é uma furada porque tem juros maiores do que os oferecidos dentro da agência. Se precisa tomar empréstimo no banco, negocie os juros com o gerente.

Cuidado com os empréstimos consignados. As taxas de juros aumentaram para todas as modalidades de crédito, inclusive para essa. Além disso, trabalhadores de empresas privadas devem avaliar sua estabilidade no emprego.

GASOLINA

O Gás Natural Veicular (GNV) é uma opção. No caso de um carro flex, a economia vai depender do tipo de combustível usado pelo motorista. Mas a economia chega a 60% ao ser utilizar o GNV no lugar da gasolina.

Optar pelo etanol pode não valer a pena, pois o combustível só sai mais em conta se seu preço for equivalente a até 70% do custo da gasolina. Segundo dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o preço médio do litro do derivado do petróleo, na semana passada, no Rio, era de R$ 3,187, enquanto o etanol custava R$ 2,497. O valor do álcool equivalia, então, a 78%. Com mais R$ 0,22 de impostos acrescidos ao valor da gasolina, o custo médio do litro será de R$ 3,40. Supondo que o preço do etanol continue o mesmo, ainda assim, seu uso não vai valer a pena, pois o valor equivalerá a 73% do custo da gasolina.

Para curtas distâncias, opte por transportes alternativos, como bicicletas e skates.

ENERGIA ELÉTRICA

Procure não ligar mais de um ar-condicionado ao mesmo tempo.

Ao ligar o ar-condicionado, feche as portas do ambiente, coloque-o no máximo e espere refrigerar. Depois, diminua a intensidade da refrigeração para manter a temperatura confortável.

Retire os aparelhos da tomada quando não estiverem sendo usados. Uma televisão ligada na tomada, em modo stand by, pode gastar até R$ 2 por mês.

Em casas onde todos costumam usar o chuveiro elétrico, vale investir numa placa de aquecimento solar, cuja instalação custa de R$ 1.500 a R$ 2 mil. A economia na conta de luz é de 15% a 20%, e o investimento se paga, em média, em três anos.

Um consumidor residencial economiza em torno de 65% usando energia solar, por meio de crédito na conta. A placa fotovoltaica custa, em média, de R$ 12 mil a R$ 15 mil e é indicada para residências com consumo médio de 500kWh/mês (conta de cerca de R$ 350).

DÓLAR

Se você já está com viagem para o exterior marcada para daqui a alguns meses, é bom comprar dólares agora, para evitar o preço mais alto depois.

Quanto mais cara a moeda americana, mais aumentam os preços de produtos importados. Evite-os, substituindo por similares nacionais.

EMPREGO

Saber se automotivar e estar engajado nos desafios da empresa. Em períodos de crise econômica, gestores valorizam ainda mais os funcionários que vestem a camisa da organização.

Amplie sua rede de relacionamentos, que, se bem estruturada, contribui para a inserção no mercado de trabalho ou para uma possível mudança de emprego.

ÁGUA

Ao viajar ou sair de casa por mais de um dia, anote a leitura de seu hidrômetro. Ao retorna, confira se permanece a mesma marcação. Isso pode identificar se há vazamentos em seu imóvel.

Instale redutores de vazão nas torneiras. Eles podem economizar até 60% do consumo de água

Some o número de moradores em sua casa, multiplique por 200 (média de litros consumidos por dia, por pessoa), depois multiplique o resultado por 30 dias. Você vai verificar qual o consumo ideal para sua residência. Compare-o com sua conta e veja se está dentro da média ou não.

ALIMENTOS

Por precisarem de mais água para o cultivo do que outros itens alimentícios, os produtos hortifrutigranjeiros podem ficar mais caros este ano, se a seca continuar. Legumes cujas plantações não dependem tanto de água, como mandioca e batata, devem ter preços mais em conta.

Alimentos importados estarão mais caros este ano, por conta do dólar e do aumento dos impostos sobre a importação. Troque-os por produtos nacionais. Para cozinhar, o azeite, por exemplo, pode ser substituído pela manteiga ou pelo óleo.

O mercado financeiro avalia que a carne bovina deverá subir em torno de 11% este ano e a suína, 13%, para o produtor. Como esses aumentos devem impactar o bolso do consumidor, a alternativa será o frango, que vai subir também, mas bem menos, em torno de 4%.

JUROS DA CASA PRÓPRIA

Se você não tiver urgência, como casamento marcado, espere mais um pouco para juntar dinheiro e dar uma entrada maior no financiamento imobiliário e, assim, pagar menos juros.

Se pretende financiar sua casa ainda este ano, mas não é cliente do banco, inicie logo um relacionamento com a instituição, para viabilizar, posteriormente, taxas de juros melhores.

Embora a Caixa Econômica Federal, em geral, ofereça taxas de juros melhores, ainda vale pesquisar os juros de outros bancos, que podem ter condições de pagamento mais vantajosas ou até oferecerem descontos.

RENDIMENTO DA POUPANÇA

Num cenário de juros altos, as aplicações em renda fixa se tornam investimentos mais rentáveis do que a poupança.

Na renda fixa, porém, há incidência de Imposto de Renda, com alíquotas de 15% a 22,5%, dependendo do prazo do investimento. A troca só é vantajosa, em princípio, se a pessoa ficar mais de dois anos sem usar o dinheiro.

Uma alternativa são os fundos de investimento em títulos públicos, com rendimento vinculado ao CDI – Certificado de Depósito Interbancário. Os fundos DI têm rendimento diário e permitem resgates dos recursos a qualquer momento.

*Especialistas e instituições consultadas:

Anderson Silva - presidente da TRC Sustentável

Amarilis Romano e Molinari - economistas da Consultoria Tendências

Carlos Vitor Strougo - Associação Brasileira de Recursos Humanos do Rio (ABRH-RJ)

Dora Ramos - educadora financeira e diretora da Fharos Contabilidade & Gestão Empresarial

Gilberto Braga - economista do Ibmec

Inmetro

José de Sousa e Silva - presidente da Bolsa de Gêneros Alimentícios do Estado do Rio de Janeiro (BGARJ)

Leonardo Schneider - vice-presidente do Sindicato da Habitação do Rio (Secovi Rio)

Light

Maria Cristina Silva - responsável por soluções de mobilidade da Ceg

Reinaldo Castro Souza - professor do departamento de Engenharia Elétrica da PUC-Rio

Reinaldo Domingos - educador financeiro da DSOP

 

Publicada no O Globo