Congele seu cartão de crédito

Congele seu cartão de crédito

Data de publicação: 05/02/2015

Quem já visitou apartamentos mais antigos para comprar já deve ter percebido: não existiam closets antigamente. No quarto do casal (a atual suíte master, na linguagem das imobiliárias e corretoras), o que havia era um armário em uma parede para marido e mulher. Mas pegue a planta de qualquer imóvel em lançamento que logo você vê: espaços grandes destinados para o closet do casal.

 

"Onde as pessoas guardavam as suas roupas?", muitos se perguntam. A realidade é mais cruel do que isso: as pessoas simplesmente não compravam tanto quanto hoje. Graças a uma inovação-chave, o cartão de crédito, o consumismo foi ganhando espaço até precisar de pequenos quartos só para guardar todas as roupas que insistimos em comprar.

 

O cartão de crédito, junto com a democratização da moda e todos os desejos de consumo gerados pela publicidade para gastar, gastar e gastar, vem gerando outros problemas, além da necessidade de amplos closets: dívidas estratosféricas no cartão e compras por impulso de itens que, muitas vezes, nem são usados.

 

Como lidar então com o consumismo e a impulsividade?

 

Uma solução mais caseira - e extrema -, citada por Dan Ariely em "Previsivelmente Irracional", é congelar o cartão de crédito. Isso mesmo: colocar cada cartão em um copo cheio de água e deixar no freezer. Cada vez que você quiser comprar algo no cartão, você terá que esperar algumas horas até ele descongelar, o que dá tempo de sobra para repensar a compra e ver se ela é realmente necessária.

 

No entanto, hoje já existem dezenas de sites e aplicativos de celular que podem te ajudar nisso. Assim como existem apps para estimular a sua produtividade (que não permitem que você se distraia por tempo demais no Facebook) e segurar a comilança (ao registrar tudo o que você come), outros podem ajudar a controlar seus gastos.

 

O site brasileiro GuiaBolso mostra exatamente como estão suas despesas, sem que você tenha que montar um orçamento. Nos Estados Unidos, existem apps que dizem quanto você pode gastar por dia e semana.

 

Já o site Stickk.com, por exemplo, ajuda as pessoas a se comprometerem com seus objetivos com um estímulo muito claro: dinheiro. Você estabelece a sua meta (poupar um valor mensal, por exemplo), faz um depósito no site e indica um juiz para verificar se você cumpriu o que prometeu. Em caso positivo, você recebe o dinheiro de volta.

 

O ponto todo aqui é usar as ferramentas existentes para ajudar as pessoas a resistir às tentações de curto prazo (mais um sapato, o novo celular) em benefício dos seus objetivos de longo prazo (uma aposentadoria mais rica, comprar uma casa, fazer uma viagem com a família). É difícil - mas isso não significa que você precisa fazer isso sozinho. Com os estímulos certos, fica mais simples de você se dispor a ir atrás das suas metas.

 

Post em parceria com Carolina Ruhman Sandler, jornalista e fundadora do site Finanças Femininas.

 

Samy Dana possui Ph.D em Business, doutorado em administração, mestrado e bacharelado em economia. Atualmente é professor na Escola de Administração de Empresas de São Paulo da FGV, criador e coordenador de do Núcleo de Cultura, Criatividade e Comportamento - GVcult. É consultor de empresas nacionais e internacionais dos setores real e financeiro e de órgãos governamentais. Dana é autor dos livros "10x Sem Juros" (Saraiva), em coautoria com Marcos Cordeiro Pires, "Como Passar de Devedor Para Investidor" (Cengage), em coautoria com Fabio Sousa e "Estatística Aplicada" (Saraiva), em coautoria com Abraham Laredo Sicsú.

 

Publicado na Folha de São Paulo