Boletim Macro Ibre de março prevê retração de 1% no PIB, em 2015

Boletim Macro Ibre de março prevê retração de 1% no PIB, em 2015

Data de publicação: 30/03/2015

Com base nesse cenário pouco otimista, mesmo com as mudanças metodológicas do PIB realizadas recentemente pelo IBGE, os pesquisadores do Ibre Silvia Matos e Vinícius Botelho destacam que dificilmente a evolução da atividade econômica brasileira em 2013 e 2014 será significativamente alterada.

 

Não será fácil recolocar a economia brasileira no prumo, rumo ao crescimento, devido, entre outros fatores, à queda do PIB (Produto Interno Bruto), à desvalorização do real, à inflação alta, à baixa confiança de empresários e consumidores em investir e à piora do mercado de trabalho. Com o fim do primeiro trimestre de 2015, as incertezas sobre como o ano terminará se mantêm, de acordo com a equipe econômica do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV/Ibre). Conforme aponta o Boletim Macro Ibre de março, divulgado esta semana pelo Instituto, as origens para esse pontos de interrogação na economia são conhecidas. A mais importante delas é “quão profundo e de que qualidade será o ajuste fiscal em curso” pelo governo. Isso, lembram os analistas, em um contexto complicado no qual não está descartada a possibilidade de rebaixamento da classificação de risco do Brasil, além dos impactos amplificados das investigações de corrupção.

 

Com base nesse cenário pouco otimista, mesmo com as mudanças metodológicas do PIB realizadas recentemente pelo IBGE, os pesquisadores do Ibre Silvia Matos e Vinícius Botelho destacam que dificilmente a evolução da atividade econômica brasileira em 2013 e 2014 será significativamente alterada. Eles também projetam a taxa de crescimento do PIB para 2015. “Ao fim, mantém-se a estimativa de crescimento nulo para o PIB de 2014, com contração de 0,2% no 4º trimestre e a previsão de queda de 1,0% para este ano”. Além disso, com a revisão da metodologia da série da construção civil, a estimativa em 2015 para a formação bruta de capital fixo (investimentos) é de contração de 6,3%, resultado da depreciação cambial, assim como da pior perspectiva da confiança das empresas. Esse último fato também fez com que os especialistas revisassem a projeção de crescimento do consumo das famílias de -0,3% para -0,6% este ano.

 

No campo fiscal, talvez a única surpresa positiva salientada no Boletim: a estimativa feita anteriormente, de que o resultado primário do setor público consolidado iria se situar no intervalo de zero a 0,5% do PIB em 2015, cresceu para 0,7% a 0,9%. A razão está relacionada ao resultado fiscal de estados e municípios em janeiro e as novas medidas de austeridade do governo central. Entretanto, o momento não é de comemoração. Gabriel Leal de Barros, autor da seção, reitera que, ainda assim, atingir a meta fiscal de 1,2% do PIB continua sendo um objetivo difícil de alcançar. Uma das poucas possibilidades, segundo ele, encontra-se na ampliação das receitas ligadas a privatizações, intimamente relacionadas à agenda de concessões de infraestrutura.

 

Você confere essas e outras análises, entre elas sobre política monetária, setor externo, mercado de trabalho, inflação, cenário internacional, panorama político na edição de março do Boletim Macro IBRE.

 

Publicada na FGV Notícias