Ibre-FGV vê índice acima do centro da meta definida pelo BC até 2017

Ibre-FGV vê índice acima do centro da meta definida pelo BC até 2017

Data de publicação: 14/04/2015

Para os pesquisadores do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV) o índice oficial de inflação não deve cumprir a meta até 2017. Na avaliação dos economistas do Ibre, o IPCA será pressionado pelo câmbio ao longo do ano e pode terminar 2015 em alta de até 8,6%. "É preciso um choque de expectativa, ou uma valorização cambial que não está no horizonte, para o índice ficar na meta de 4,5%", afirmou a economista Silvia Matos.

 

Para este ano, no entanto, o principal impacto deverá ser mesmo o reajuste dos preços monitorados: "O realismo tarifário explica bastante dessa recente revisão dos indicadores", afirmou Salomão Quadros, responsável pelos índices de preços da FGV.

 

Segundo a análise do Ibre, o aumento da fragilidade do mercado interno deverá impedir a recuperação da economia brasileira no curto prazo: há uma contração dos investimentos e um freio do consumo das famílias. O PIB, segundo Silvia, deve fechar o ano em queda de 1,2%. Para o economista Aloisio Campelo, "não há nenhum sinal de recuperação, o que tende a ter uma retroalimentação na desaceleração da economia".

 

Os economistas projetam redução da renda familiar de 0,6% em 2015 e também estimam que a taxa de desemprego calculada pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME), que mede o mercado de trabalho nas grandes cidades, será de 6,2%. Medida pela Pnad Contínua, a taxa ficará em 7,7%. Para o economista Samuel Pessôa, "do ponto de vista doméstico há enorme dificuldade da recuperação da economia".

 

"Apesar de todo esse cenário complicado, a gente não resolveu a inflação, a gente não resolveu o ajuste fiscal", afirmou Armando Castellar. "O ajuste externo ainda não está acontecendo. Talvez o cenário, que já é complicado, tenha que ser ainda mais complicado", completou o economista da FGV.

 

"Outra característica importante do mundo moderno é o fortalecimento do dólar", afirmou José Julio Senna durante o seminário. "E os ciclos tendem a ser longos, esse aqui ainda é o começo de uma tendência de alta. É muito pouco provável que a gente esteja no final de um ciclo", avaliou. Para o grupo do Ibre, a moeda americana deve subir para R$ 3,40. Na avaliação do especialista, "há um desequilíbrio na recuperação econômica, os Estados Unidos estão mais fortes que o restante do mundo, e isso deve persistir", afirmou Senna.

 

Durante o seminário realizado na sede da FGV, os economistas do Ibre também indicaram que o superávit este ano deve chegar a 0,7% do PIB, abaixo da perspectiva para 2016, que é de 1,2%. Silvia Matos, no entanto, fez um alerta: "Sem crescimento, realmente é muito difícil ampliar o superávit". A economista acredita que o prejuízo nas transações comerciais será menor este ano.

 

Publicada no Valor Econômico