Grécia, alerta para o Brasil

Grécia, alerta para o Brasil

Data de publicação: 24/06/2015

 A Grécia insolvente está prestes a ter que deixar a Zona Euro e com isso, o povo grego viverá tempos ainda mais difíceis. O país é visto como vítima por diversas correntes, principalmente de esquerda, mas sua tragédia foi construída pelos próprios gregos. Sem reconhecer seus erros, essa sociedade irá revisitar seus pesadelos. A penúria grega é um alerta ao Brasil que também vivencia uma crise.


Entre 1929 a 1980, a Grécia passou por golpes de estado, ditadores que governaram por curto prazo e impacto severo da segunda guerra mundial. Apesar disso, o PIB grego se expandiu nesse período a uma espantosa média anual de 5,2%.


Em 1981, com a Grécia na União Europeia, o partido socialista PASOK assumiu o poder. Com o novo governo, o ambiente econômico grego mudou rapidamente e a situação atual tem suas raízes nessa guinada. A política econômica do PASOK criou um estado de bem estar social inflado e ineficiente, com excesso de regulação e intervenção restritiva no setor privado.  Dedes então, a disputa pelo voto tem usado o dinheiro público para comprar apoio político e para programas de bem estar de cunho populista acompanhados da estatização predatória da economia. Desde 1974, mesmos partidos mais conservadores nacionalizaram bancos e corporações, subsidiaram empresas e expandiram tais programas. Após 1981, a intervenção do estado na economia e o apadrinhamento viraram regra.


O aumento dos gastos em programas de bem estar social angariava apoio político e votos, enquanto subsídios a setores escolhidos asseguravam o apoio dos mais poderosos, situação quer perdurou até 2009. Mas o dinheiro para financiar a gastança, veio de empréstimos contraídos junto a seus pares da Zona do Euro, a juros baixos.


O dinheiro tomado emprestado por três décadas foi usado para financiar consumo, e não investimento, infraestrutura e desenvolvimento econômico. A população acreditou que a festa duraria para sempre e não percebia que quem teria que pagar a conta mais cedo ou mais tarde era ela. A renda média dos gregos chegou a subir mais do que a dos seus pares da Zona Euro, mas a dívida grega subia bem mais rápido.


O cidadão grego considera os benefícios e transferências recebidas do governo como direitos sociais e não se pergunta quem paga esses direitos! Em 2012, o governo gastava 10.600 euros por cidadão em benefícios sociais, mas a receita em impostos era de 8300 euros, rombo coberto com endividamento. A Grécia exibe o maior percentual sobre a população de funcionários públicos da Zona do Euro, e eles receberam aumentos acima da inflação de 1996 a 2009 e obviamente votavam a favor desses governos. O funcionário público, trabalhando por 35 anos, pode aposentar-se aos 58 anos – os alemães se aposentam aos 67. Apesar de imensos gastos sociais, o ensino gratuito grego é de péssima qualidade e as famílias gastam em ensino privado para dar educação razoável aos filhos. O mesmo ocorre com a saúde.


Com a crise de 2008, o financiamento barato desapareceu, e o país, falido, recorreu ao FMI e à União Europeia para sobreviver. Junto com a ajuda, veio a exigência de mudanças duras na condução da economia. O povo, revoltado com essas medidas, escolheu nas últimas eleições um partido de extrema esquerda que prometeu continuar com a festa. Mesmo que parte da imensa dívida grega fosse perdoada, se o povo não mudar seus maus hábitos, estará sujeito a outra crise. Os gregos devem entender que prosperidade e inclusão social se alcança com produtividade, empresas e população eficientes, trabalho e, de preferência, com o estado interferindo pouco na economia. A eleição recente mostra que os gregos continuam no autoengano.


As semelhanças do retrato brasileiro atual com o grego são evidentes: inchaço da máquina pública, gastos extremamente populistas visando voto, subsídio a setores poderosos, intervenções ineficientes do governo na economia abafando o setor privado, serviços públicos caros e de péssima qualidade, níveis de corrupção insuportáveis.


A crise atual está fazendo com que os brasileiros percebam, com dor, que o consumismo que vivemos nos últimos 12 anos é insustentável. Corrigir o rumo significa adotar medidas dolorosas e impopulares, como cortar gastos do governo e aumentar impostos. O maior perigo é, após a correção, a retomada das políticas populistas e eleitoreiras. Os brasileiros precisam deixar de acreditar que as coisas caem do céu.


Em especial, o governo Dilma, buscando votos com gastança em 2014, desrespeitou a Lei de Responsabilidade Fiscal, que impede que governos irresponsáveis arrasem com a credibilidade do país. A rejeição pelo TCU e o Congresso das contas de 2014 do governo, responsabilizando a Presidente da República pelo desrespeito à lei é um importantíssimo sinalizador de que o povo brasileiro não permitirá que governos irresponsáveis transformem o Brasil num país falido como a Grécia.