Empreender com responsabilidade

Empreender com responsabilidade

Data de publicação: 29/09/2015

Vertente de empresas que buscam soluções para problemas sociais e ambientais, os negócios sociais ganham cada vez mais adeptos – especialmente entre jovens. Exemplos de negócios sociais são as bicicletas laranjas do Itaú, espalhadas por diversos pontos da cidade e que visam diminuir o trânsito e a poluição; o Instituto Chapada, que busca melhorar a qualidade da educação pública, oferecendo apoio à formação continuada de professores; e o projeto Catarse, que fornece financiamento coletivo para projetos que precisam de recursos.

Em escala global, grandes amostras de empreendedorismo social são a Asembis, que presta serviços médicos na Costa Rica, por meio de centros equipados com alta tecnologia, preço justo e atendimento qualificado, e a Bridges International Academies, do Quênia, que oferece educação a um preço acessível. O empreendedorismo social e a economia solidária são muito similares. A diferença entre os dois termos está na forma de distribuição da renda — que é feita igualmente, na economia solidária, e pelo critério do presidente de empresa, no caso empreendedorismo social.

O projeto Brasil 27, iniciativa que mapeou os negócios sociais no Brasil, em parceria com o Centro de Empreendedorismo Social e Administração em Terceiro Setor da Universidade de São Paulo (Ceats/USP), contabilizou 1,1 mil empreendimentos do tipo espalhados pelo país e constatou que o Distrito Federal conta com sete exemplos.

Solidariedade essencial

Edson Marques Oliveira, 51 anos, doutor em serviço social pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp) e autor do livro Empreendedorismo social: da teoria à prática, do sonho à realidade, acredita que vivemos uma época em que a economia solidária é essencial. “Hoje, os negócios sociais geram redes de trabalho e também sustentabilidade. A pretensão é revolucionar o capitalismo”, explica. Para o pesquisador, o Brasil investe de forma ainda pouco expressiva no segmento. “Aqui, o empreendedorismo social ainda está muito apagado, mas temos potencial. Há um investimento muito grande no exterior. Aqui, falta estímulo das escolas para os jovens se engajarem”, percebe. “Querer fazer do mundo um lugar melhor é um ganho inestimável. À medida que isso é estimulado, você traz um equilíbrio importante para a vida em sociedade”, defende.

“Os brasileiros são criativos e envolvidos, e há muitos bons projetos em curso. O problema é que a demanda atual de negócios sociais exige mais recursos do que temos e não conseguimos acompanhar”, opina César Froes, 68, autor do livro Empreendedorismo social: a transição para uma sociedade sustentável e mestre em administração pública e governo pela Fundação Getulio Vargas. Para ele, a vertente é da maior importância. “O objetivo é promover a transformação da realidade social, tentando fazer uma mudança com a participação da sociedade. Quando um empreendedor social cria um projeto, ele procura beneficiar o maior número de pessoas possível e atender a uma demanda da comunidade. O lucro não é apenas financeiro. O retorno é medido de acordo com a qualidade de vida dos beneficiários, do progresso material, social e psicológico das pessoas envolvidas”, afirma.

Conheça jovens que estão fazendo a diferença com negócios sociais

Cooperação pelo design

Thiago Lucas, 29 anos, e Bruno Antunes, 25, estão à frente da Baru Design, empresa produtora de móveis a partir de madeira de demolição em parceria com a cooperativa Sonho de Liberdade, da Cidade Estrutural, que conta com mão de obra de ex-presidiários. “Tudo começou com meu trabalho de conclusão de curso. Durante a pesquisa, me falaram de uma cooperativa que estava trabalhando exclusivamente com madeiras de demolição. Entrei em contato com o presidente, Fernando de Figueiredo, e conversamos sobre uma parceria. A Baru acabou se tornando um projeto de vida”, conta Thiago.

O lucro é dividido meio a meio entre os jovens e a cooperativa. “As pessoas se interessam muito e dão valor ao móvel por ser sustentável e trabalhar com economia solidária”, explica Bruno. “Não consigo acreditar mais num sistema em que o lucro é exclusivamente dos proprietários. Esse tipo de relação, na qual mais de uma pessoa é beneficiada, tem que se espalhar”, diz Thiago.

Sonho realizado

Mestre em economia pela Universidade de Georgetown (EUA), o português Miguel Queimado, 32 anos, é CEO da DreamShaper, que atua em várias cidades, incluindo Brasília. Ele foi executivo na empresa de consultoria McKinsey e CEO do Groupon, mas largou o último emprego para se dedicar ao projeto. Miguel desenvolveu uma aplicação que ajuda pessoas a elaborarem planos de negócios. “Com perguntas práticas, a gente consegue encaminhar jovens sonhadores para uma ideia viável”, diz.

São aceitos projetos de qualquer tipo, desde um trabalho de ecologia até a montagem de uma empresa. Apesar de ter objetivos louváveis, a empresa não é isenta de lucro. “Empreender de maneira responsável não é apenas jogar dinheiro fora pela ética e para ser bem-visto. O negócio gera renda e ainda busca eliminar mazelas sociais.” A decisão de trabalhar com empreendedorismo social veio da experiência de Miguel com o voluntariado na ONG Acredita Portugal. Acesse: dreamshaper.com.

Estudantes inspirados

Aspirante a empreendedor social, o estudante de análise de desenvolvimento de sistemas do Centro Universitário Iesb Matheus Freitas, 20 anos, está finalizando um aplicativo para viabilizar a reciclagem de lixo. “A ideia é ligar, por meio do aplicativo, catadores de rua, cooperativas e empresas que reciclam com quem produz o lixo. Proporcionaremos a quem entrega o material para reciclagem a certeza de que o resíduo será processado da maneira correta. Se der certo, vai ajudar muitas pessoas, gerar trabalho e acabar com o problema do lixão”, espera o jovem, que conta com a ajuda do colega Victor Assis, 21, para colocar o projeto em prática.

O aplicativo está sendo desenvolvido com recursos dos envolvidos. A expectativa de Matheus é abrir uma empresa. “Acho que as pessoas pensam muito no dinheiro e se esquecem de que o que realmente importa é ajudar os outros”, reflete. O lucro do projeto viria de uma pequena taxa a ser cobrada das empresas.

 

 

 

Acompanhar, opina César Froes, 68, autor do livro Empreendedorismo social: a transição para uma sociedade sustentável e mestre em administração pública e governo pela Fundação Getulio Vargas. Para ele, a vertente é da maior importância.

 

 

 

Leia a matéria no site do jornal Correio Brasiliense