Pós-graduação incrementa salário

Pós-graduação incrementa salário

Data de publicação: 14/10/2015

Em tempos de crise, pessoas que investiram em cursos de mestrado e doutorado têm conseguido se destacaram no mercado de trabalho. Segundo estudo da empresa de transição de carreira Produtive, em 2015, ano em que muitas categorias têm dificuldades para obter reajustes, profissionais com mestrado foram contratos com salários 21,4% maior em relação a 2014. Assim, a média salarial de contratação desses trabalhadores foi de R$ 13.804 no ano passado para R$ 17.561 agora em 2015.

 

O estudo foi feito com aproximadamente 200 profissionais que buscavam recolocação. “Pelo segundo ano consecutivo, o estudo mostra que as pessoas que fizeram investimento acadêmico são mais bem remuneradas. É uma combinação, ter mais estudo e ser habilitado para assumir o cargo”, diz o CEO da Produtive, Rafael Souto.

 

Ainda de acordo com o estudo, os profissionais com especialização (não mestrado) foram contratados com salários 12,4% maiores em 2015 em relação a 2014, passando de R$ 9.306 para R$ 10.620.

 

Já quem investiu em mais de uma especialização teve alta de 14,6%, com salário médio de contratação, em 2014, de R$ 12.801, passando para R$ 14.989 agora neste ano. Por sua vez, profissionais apenas com graduação tiveram um reajuste de 4,6% na remuneração e a média dos salários de contratação desse grupo passou de R$ 5.812 para R$ 6.096.

 

“As empresas precisam de pessoas com formação sólida, foco no trabalho, conhecimento e profundidade teórica”, diz Souto. Outro aspecto relevante é que a pós-graduação aumenta o nível de trabalhabilidade, ou seja, a capacidade de gerar fontes alternativas de renda.

 

Oportunidade.

 

“Sem especialização eu estaria um passo atrás na concorrência por uma vaga, especialmente na função de gestão. Sem isso, minha carreira estaria prejudicada como gestor”, diz o gerente de desenvolvimento de novos produtos da Cargill, Marcos Cesar de Carvalho Fernandez, de 45 anos, formado em química industrial. Ele fez mestrado em processos químicos industriais no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).

 

Antes da Cargill, Fernandez passou três meses desempregado. “Chamou-me bastante a atenção, em tempos de crise, a velocidade como fui absorvido no mercado. Sei que o título foi um diferencial.” Ele conta que o curso deu a oportunidade de uma nova colocação e com remuneração maior. “Em um ano o aumento foi de cerca de 20%.”

 

Para o professor e pró-reitor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Antonio Freitas, o mestrado ou doutorado pode abrir portas. “Mas o que vai contar sempre será o desempenho do profissional”, diz. No entanto, ele acredita que ter mestrado ou doutorado pode expandir a vida profissional. “Aqui, eu já fui professor, hoje sou pró-reitor. Sem o título eu não poderia ocupar o cargo. Para ser pró-reitor é preciso ter doutorado, apesar de ser função administrativa.”

 

Segundo o professor, não adianta ter doutorado na melhor escola, e ser uma pessoa difícil de trabalhar, sem softs skills. “Recomenda-se sim fazer mestrado e doutorado, mas não pensar que trará um retorno imediato. Você deverá estar equipado para entregar mais.”

 

A nutricionista Solange Malentachi, de 50 anos, sempre acreditou que a especialização era importante para o desenvolvimento da carreira. Com perspectivas para aumentar as oportunidades e empregabilidade, ela se especializou em marketing, gestão de saúde, nutrição clínica e também um mestrado em saúde materno-infantil.

 

“Eu era responsável pelo serviço de nutrição de uma instituição e decidi me especializar na área. O mestrado abriu o leque: após o curso fui convidada para atuar como consultora na AxisMed (empresa especialista em gestão de saúde).”

 

Hoje, ela é gerente de inteligência em saúde na empresa e diz que as especializações foram fundamentais para o desenvolvimento de carreira. “Tive mais conhecimento e crescimento. Fiz um caminho para chegar onde estou”, diz.

 

‘Resultado virá ao longo da trajetória’

 

O diretor da consultoria Hays, Luis Fernando Martins, afirma ser importante o profissional se desenvolver academicamente. “Ao se especializar na sua área e ter experiência de gestão, o curso de mestrado, mesmo que seja voltado para um papel mais executivo, fará mais sentido.”

Segundo ele, é importante encontrar um curso que seja coerente com o próximo passo de carreira. Cada pessoa precisa de um curso específico para complementar sua trajetória.

 

“O candidato investirá tempo e dinheiro nesta formação, mas o mercado não pode devolver no curto prazo. Não é porque fez cursos que vai redundar em aumento salarial. É imprescindível ter maturidade e inteligência emocional para entender que seu retorno não é de curto prazo”, afirma Martins.

 

O gerente da consultoria Michael Page, Tomás Jafet, diz que a questão acadêmica é um diferencial. “Duas pessoas parecidas, equivalentes em competências, atitude e carreira. Se vem a dúvida na contratação, o que vai diferenciar é a formação, o que uma terá a mais que o outro”, exemplifica.

 

Ele, no entanto, ressalta que não ter pós-graduação não significa uma porta fechada. Por isso, ele enfatiza a importância de fazer uma análise antes de escolher o curso pretendido. “O que também agrega muito é o público e a troca. O conteúdo, a instituição que oferece o curso e os professores também são importantes”, diz.

 

Jafet destaca, ainda, que é preciso ter tempo para se dedicar ao estudo, mas poder equilibrar trabalho e estudo.“O curso é um diferencial e o resultado virá ao longo da carreira. Um bom currículo acadêmico não é suficiente, ele precisa estar somado à trajetória profissional.”

 

Matéria publicada no site do jornal Estadão em 04 Outubro 2015 | 08:12