Gestão e empregabilidade

Gestão e empregabilidade

Data de publicação: 14/03/2016

GESTÃO E EMPREGABILIDADE


Artigo publicado na edição de 01/03/2016 do jornal Estado de Minas – página de Opinião.

 

 

João Teixeira de Azevedo Neto é economista com MBA Executivo do COPPEAD/UFRJ, é professor dos MBAs em Gerenciamento de Projetos e em Desenvolvimento Humano de Gestores da Fundação Getulio Vargas/Faculdade IBS.

  

Na juventude, tivemos que escolher os nossos caminhos profissionais. Ingressar numa boa universidade, estudar bastante e ser o melhor da turma certamente nos dava uma boa posição em uma das melhores empresas, com direito a emprego eterno e aposentadoria. Nunca imaginamos que, além da capacidade técnica, teríamos que ter também habilidades comportamentais, e que elas seriam tão importantes, ou mais, do que o próprio conhecimento profissional. Os tempos mudaram.

 

Hoje convivemos com ambientes de incerteza, onde tudo está em constante mudança. Precisamos ter sempre conhecimentos e atitudes que nos garantam o que chamamos de “empregabilidade”. A primeira questão que se coloca é: será que os jovens estão de fato preparados para os desafios do nosso mercado de trabalho? Será que estão sendo preparados com as habilidades comportamentais que os levarão ao sucesso em suas carreiras profissionais e/ou de liderança?

 

Muitas empresas do nosso mercado têm concluído em seus planejamentos estratégicos que, para crescerem e colherem melhores resultados em seus negócios precisam de melhores e maiores competências organizacionais. Elas são constituídas por um conjunto de competências individuais que os seus colaboradores precisam ter ou adquirir. Aí aparece a necessidade de uma gestão, que, dentre outros objetivos, vai levar ao desenvolvimento e ao treinamento de muitas dessas competências.

Em um plano maior é necessário desenvolver a capacidade de liderar e, para tanto, ter visão estratégica, capacidade de comunicação, ter um ótimo relacionamento interpessoal, saber inspirar os seus liderados, saber negociar, tomar decisão sobre pressão, ter resiliência e fazer “coaching ”com os seus times de trabalho. Mas hoje estamos diante de um outro quadro.

 

Ainda são poucas as iniciativas de desenvolvimento dessas competências entre os nossos universitários. Se eles pudessem ter acesso a essa informação certamente chegariam mais qualificados ao mercado de trabalho. Portanto, universidades e empresas precisam se unir para agregar ao currículo escolar uma bagagem comportamental, que é vital para o exercício profissional, qualquer que seja a formação escolhida.

 

Na maioria das vezes, bons profissionais são escolhidos para liderar grupos sem que tenham a menor consciência do seu papel de líder. Pensam que por serem bons de conteúdo serão ótimos lideres, esquecendo que o maior desafio da liderança é inspirar e suportar para fazer com que os outros façam o que, vamos combinar, é muito mais complexo do que fazer com excelência algo individualmente.

 

É bom que já estamos vendo muitas Organizações, Universidades e o Setor Público começarem a investir mais na parte comportamental do trabalho. Sem esse investimento não atingiremos o grau de Excelência requerido pelos constantes desafios dos Negócios Corporativos.