Gritar por melhores resultados não fará a sua empresa crescer

Gritar por melhores resultados não fará a sua empresa crescer

Data de publicação: 06/06/2016

Gritar por melhores resultados não fará a sua empresa crescer

 

Samy Dana - Possui Graduação e Mestrado em Economia, Doutorado em Administração e Ph.D in Business. É professor de carreira na Escola de Administração de Empresas e membro do Instituto de Finanças da FGV. 

 

Artigo publicado no G1

 

Quando nos damos conta de que a cada dez brasileiros quatro já possuem o próprio negócio ou estão planejando montar uma empresa, não é de causar espanto o fato do empreendedorismo ganhar força em um momento de crise econômica. Mas se você tem o plano de montar uma empresa ou já é empreendedor, um grande desafio é fundamental para seu sucesso: manter sua equipe constantemente motivada.

O estresse do cotidiano e a produtividade baixa de uma equipe pouco motivada são alguns dos obstáculos enfrentados por uma empresa para alcançar resultados satisfatórios. Uma das alternativas para solucionar esta questão é estimulando a força de vontade nos funcionários – isso faz toda a diferença para a cultura da empresa.

A questão da força de vontade, inclusive, já foi tema de experimento do psicólogo social Mark Muraven, professor da Universidade de Albany, nos Estados Unidos. Os estudantes que participaram da experiência foram divididos em dois grupos e colocados em salas diferentes. Os participantes dos dois grupos eram orientados a permanecer em um ambiente com um prato de cookies durante algum tempo, em seguida eles fariam uma atividade que exigia muita concentração para acertar as respostas. Nos dois casos, eles estavam proibidos de pegar os cookies. No entanto, os participantes do primeiro grupo foram tratados com muita educação e delicadeza, enquanto os integrantes do segundo grupo receberam orientações ríspidas e sem muitos detalhes sobre a experiência.

Ao final, todos os participantes resistiram à tentação e não comeram os cookies - que estavam ali justamente para testar a força de vontade dos estudantes –, mas os integrantes do segundo grupo tiveram resultados piores na atividade que exigia concentração. A experiência mostrou que as pessoas com maior capacidade de controle sobre a experiência tendiam a ter um desempenho melhor. O simples fato de tratar bem o participante, além dar a ele consciência de que a contribuição dele seria importante para o resultado da experiência, fez com que a motivação e o empenho fossem maiores na hora do comprometimento com a atividade que exigia concentração.

O livro "O Poder do Hábito", de Charles Duhigg, mostra como isso é fundamental na cultura das empresas. Como empreendedor, você tem maiores chances de construir uma equipe sólida e de qualidade se treinar os seus funcionários a desenvolverem a autonomia e o autocontrole. Quando eles realmente sentem que são reconhecidos e que as contribuições que estão dando fazem diferença para a empresa, os resultados tendem a melhorar. No fim das contas, a equação é boa para todo mundo: a empresa tem maiores possibilidades de ganhar credibilidade com os clientes pelo bom atendimento, enquanto os funcionários encontram espaço para crescerem individualmente e avançarem em suas carreiras.

Pense a respeito desta questão se você estiver enfrentando problemas sistêmicos dentro de sua equipe. Gritar, cobrar de forma ríspida ou descontar a insatisfação nos funcionários são atitudes que não trarão o resultado que você espera. Reconhecimento e autonomia são as palavras-chave para construir uma equipe bem preparada.